IRIS MEINGERG Pioneiro, candango e diretor da Novacap. Nasceu na cidade de Três Pontas, estado de Minas Gerais em 19 de fevereiro de 1908, segundo filho de Henrique Meinberg e Teodolina de Brito Meinberg. Cursou o primário no Colégio Cristina. Mudou com a família para Barretos, onde os pais começaram a formar patrimônio, Fazenda do Barreiro Grande, e onde nasceram os outros filhos. Cursou o ginásio em Jaboticabal, interno do Colégio São Luiz. Após o curso ginasial foi para São Paulo, com intenções de seguir carreira militar no Exército, mas, optou por prestar vestibular para a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Teve intensa vida acadêmica e fez parte do Centro Onze de Agosto. Formou-se em 1930 e em julho de 1931, casou-se com Irene Silveira Emmerich, filha de Romilda Silveira Emmerich e Walter Emmerich. Foi nomeado promotor público na cidade de Silveiras, onde morou por algum tempo. Depois de nascidos os dois primeiros filhos: Carlos Henrique e Francisco José, atacado por violenta tuberculose, internou-se no Sanatório de São José dos Campos. Instalou-se depois em Campos do Jordão, para repouso, dedicando-se ainda mais aos livros. Voltou para Barretos ao ser nomeado Promotor Público daquela comarca. Nessa época, com o falecimento do pai, passa a cuidar da fazenda da família e a interessar-se pelos problemas rurais. Em 1945 foi promovido a Segundo Curador de Massas Falidas da capital de São Paulo, onde esteve até se aposentar. Iris Meinberg começou na política ao lado do Dr. Armando Sales de Oliveira, interventor em São Paulo, presidente do Partido Constitucionalista e também candidato à presidência da Repùblica. Em 1934 havia fundado, com companheiros de Barretos o Sindicato de Criadores e Invernistas. Em 1937, chefiou a delegação dos pecuaristas do Brasil Central à II Conferência Nacional de Pecuária, no Rio de Janeiro, sendo orador oficial da sessão de encerramento. De 1939 a 40, foi membro da Comissão Estadual de Preços do Estado de São Paulo. Em 1940, promoveu o Primeiro Congresso de Pecuária do Brasil Central, de onde surgiu a União das Associações Agro-Pecuárias da região. De 1942 a 45 foi comissionado junto ao gabinete do Secretário de Agricultura, Professor Mello Moraes, que o queria como seu sucessor na Secretaria de Agricultura. Em vez disso, candidatou-se à Câmara Federal nas eleições de 1945, pelo PSD, elegendo-se como oitavo suplente. Havia se filiado a esse partido, por amizade ao Dr. Fernando Costa, Ministro da Agricultura, e se desligou do mesmo após a morte do amigo, em dezembro de 1947. Foi o primeiro presidente, em 1942, da Federação das Associações de Pecuária do Brasil Central. Em 1945 surgiu a União das Associações Agro-Pecuárias do Brasil Central, continuando Iris na sua presidência. Tendo ficado viúvo em março de 1941, casa-se em 31 de maio de 1944 com D. Clotilde de Mello Meinberg, em São Paulo. Em 1946, nascia a Faresp - Federação das Associações Rurais do Estado de São Paulo, hoje Faesp, reconhecida pelo Ministério da Agricultura como órgão de defesa e representação legal da classe agrícola no Estado de São Paulo. Iris Meinberg foi seu presidente de 1946 a 1952, quando, eleito, passou a presidir a Confederação Rural Brasileira, com séde no Rio de Janeiro e já congregando toda a agricultura nacional. Reeleito várias vezes, esteve nesse cargo até 1967. Em 1950, por convite da União Democrática Nacional - UDN, candidatou-se novamente ao Congresso Nacional, sendo eleito com votação expressiva. Na legislatura de 1950 a 1954, como membro da Comissão de Economia, realizou grandes trabalhos em pról da agricultura, seu aperfeiçoamento técnico e melhoria das condições de vida no campo, além de subsídios valiosos sobre Crédito Rural, garantia de preços mínimos, Reforma Agrária e Legislação do Trabalho no meio rural. Voltou a ser eleito para o período de 1955 - 1958, sendo que em 1956 renunciou, por ter aceito o cargo de Diretor da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, cargo que ocupou por três anos, até quase a inauguração de Brasília. Foi o construtor e primeiro morador da Granja do Torto, como diretor da Novacap. Por pressões de seu próprio partido, a UDN, principalmente Carlos Lacerda - que via nele um traídor e fazia campanha na imprensa nesse sentido - devido a seu entusiasmo pela construção da nova capital, pede exoneraçao do cargo. É aceita por Juscelino em 27 de novembro de 1959. No dia 4 de dezembro, houve um banquete de despedida no Hotel Brasília Pálace (hoje destruído pelo fogo), com a participação de todos os diretores, engenheiros e funcionários da Novacap. Foi entregue a ele uma cartão de prata: Dr. Iris Meinberg A maledicência de alguns, jamais apagará no pensamento dos funcionários da Novacap, seu passado de tradições gloriosas e sua colaboração imprescindível na obra gigantesca do século - Brasília. Brasília, 4/12/1959 Morre em São Paulo, em 31 de julho de 1973. (extraído de "Um Moisés brasileiro"- Clotilde de Mello Meinberg - edição particular)
Lúcio Costa | Oscar Niemeyer | Bernardo Sayão | Novacap |