JK, de Minas Gerais ao cotidiano no Catete

 

 

Bisneto de imigrantes tchecos, filho de professora primária e presidente bossa-nova

...Juscelino Kubitschek de Oliveira nasceu em Diamantina (MG), no dia 12 de setembro de 1902, num sobrado da rua Direita. Com a morte do pai, quando o menino Nonô tinha apenas três anos, a pobreza se abateu sobre o lar dos Kubitschek.

A mãe de Juscelino sustentava a família com seus honorários de professora primária. Lutando contra dificuldades e exercendo desde cedo modestos cargos, como o de telegrafista, JK conseguiu formar-se em medicina em 1927.

Nomeado médico do Hospital da Força Pública de Minas, em 1932 serviu em Passa Quatro, uma das frentes de batalha contra os revoltosos constitucionalistas de São Paulo. Foi quando se tornou amigo de Benedito Valadares, que o iniciara na carreira política. Ocupando inicialmente o cargo de chefe da Casa Civil durante a interventoria de Valadares em Minas, logo se candidatou a deputado federal, sendo eleito em 1934.

Em 1940 era nomeado prefeito de Belo Horizonte e, em 1950, tornou-se governador de Minas.

O próximo passo foi a presidência da República, em 1956.

Agora, seu cotidiano é uma verdadeira maratona: antes de clarear o dia, ele já está sentado na cama, de robe de chambre, a ler os jornais. Em seguida começa a ligar para seus ministros. Às 6 horas, Geraldo Batista, o camareiro, entra no quarto e avisa que o banho de banheira já está pronto. Minutos depois, escanhoado e bem disposto, JK faz sua primeira refeição: um filé bem passado, leite, café, mel, pão e manteiga. Às 7 horas, chega seu primeiro auxiliar, Geraldo Carneiro. Logo em seguida, entram dois outros oficiais de gabinete: João Luís Soares e o major Dilermano Silva. Às 7h 30min., sai do Palácio das Laranjeiras em direção ao Catete. Pouco depois, desemboca na cratera de um vulcão: o seu gabinete de trabalho.

Começa imediatamente a despachar com o chefe da Casa Civil, o embaixador Álvaro Lins. Convoca os subchefes Osvaldo Maia Penido, Josué Montello e José Sette Câmara. Chama Cristiano Martins, seu secretário particular, a quem dá instruções. Edgar Magalhães, assessor parlamentar, informa-o do andamento dos projetos na Câmara. À 1 da tarde, no entanto, é a hora do almoço. A marmita, preparada pela Etelvina, cozinheira antiga de sua esposa, dona Sarah, vem das Laranjeiras, e sempre dá para dois ou três. Uma velha precaução do presidente: afinal, às vezes, aparece mais um comensal. O cardápio não costuma mudar muito: arroz, feijão, quiabo, pequenos bifes, uma verdura. Uma mineiríssima comida de pensão. Depois do almoço o ritmo não diminui: as reuniões se sucedem. Às 9 da noite, deixa o Catete.

Já no Palácio das Laranjeiras, descansa um pouco, toma um banho morno e, em seguida, janta. Depois fica escutando radiola até às 11 da noite.

(A Era JK, in Nosso Século, Ed. Abril Cultural - 1980, box pg. 221)



Inicio

biografia | citações | de Minas ao Catete | datas

fundadores | Juscelino Kubitsheck | Israel Pinheiro | Ernesto Silva | Iris Meinberg
Lúcio Costa | Oscar Niemeyer | Bernardo Sayão | Novacap