pequena pré história
A primeira sede administrativa do Brasil foi
localizada na cidade de São Salvador, onde
funcionou de 1578 até 1763, quando se transferiu
para a cidade do Rio de Janeiro. Desde muito cedo,
porém, aparecem referências sobre as vantagens de
mudar a capital para o interior do país. Os
patriotas da Conjuração Mineira de 1798 pretendiam
instalar a capital do país na cidade de São João
del Rei, enquanto os revolucionários nordestinos de
1817 imaginaram para a capital da república que
pretendiam construir, uma cidade central, a 30 ou
40 léguas do mar.
Em 1809 divulga-se em Lisboa um discurso
(apócrifamente atribuído a Pitt), onde se defendia
a criação de uma Nova Lisboa no interior do Brasil.
Logo a seguir, Hipólito José da Costa, em repetidos
artigos de seu Correio Braziliense, reivindicava
com veemência (a partir de 1813) "a interiorização
da capital do Brasil, pròxima às vertentes dos
caudalosos rios que se dirigem para o norte, sul e
nordeste". Esse panfleto obteve plena ressonância e
em princípio de 1822 aparece em Lisboa um in-fólio
sob o título de "Aditamento ao projeto de
Constituição para faze-lo aplicável ao reino do
Brasil", estipulando, logo no primeiro artigo, que
"no centro do Brasil, entre as nascentes dos
confluentes do Paraguai e Amazonas, fundar-se-á a
capital desse Reino, com a denominação de
Brasília".
José Bonifácio de Andrada e Silva, que já se vinha
batendo pela interiorização da capital do Brasil, e
teria inspirado aquele aditamento, tão logo viu
proclamada a independência do Brasil, ofereceu à
assembléia constituinte, a que então presidia, uma
Memória, onde demonstra as vantagens "de uma nova
capital do Império no interior do Brasil, em uma
das vertentes do rio São Francisco, que poderá
chamar-se Petrópole ou Brasília..."
Na legislatura de 1852 a questão tornou a ser
ventilada, despertando a atenção do historiador
Varnhagen, que defendeu ardorosamente tal medida em
numerosos artigos e epístolas, reunidos no opúsculo
intitulado "A questão da capital marítima ou no
interior?". Coube-lhe, aliás, a primeira
verificação prática no local (1877). Apontou então
como local mais apropriado "para a futura capital
da União Brasílica o triangulo formado pelas lagoas
Formosa, Feia e Mestre d'Armas, das quais manam
águas para o Amazonas, para o São Francisco e para
o Prata!". Determinava assim, com oitenta e três
anos de antecedência, o ponto onde se iria instalar
a nova capital.
Com o advento da república, volta a velha questão à
tona, sempre ligada à defesa e ao desenvolvimento
do país, afirmando-se expressamente, no art. 3o.da
constituição republicana de 1891; "Fica pertencente
à União, no Planalto Central da República, uma zona
de 14.000 km2, que será oportunamente demarcada,
para nela estabelecer-se a futura Capital Federal."
Floriano Peixoto (segundo presidente da república)
deu objetividade ao texto, constituindo-se a
Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil
(1892), sob a chefia do geógrafo Luís Cruls, que
apresentou substancioso relatório, delimitando, na
mesma zona indicada por Varnhagen, uma área
retangular que ficou conhecida como Retangulo
Cruls.
Durante vários anos pouco se falaria na questão, e,
na verdade, para tão arrojado plano, naquela época,
seria necessário vencer as distancias com razoáveis
estradas de ferro até o mar, exigindo uma
tecnologia de que não dispunha o Estado. Com a
vitória da revolução de 1930, foi reativado o
assunto, tendo como defensor o geógrafo Mário
Augusto Teixeira de Freitas, que agitou o problema
no Conselho Nacional de Geografia por mais de vinte
anos, travando ilustrada polêmica com alguns
opositores.
Muito embora a constituição de 1934 previsse a
interiorização da capital federal e ordenasse que,
"concluídos os estudos, serão apresentados à Câmara
dos Deputados, a qual tomará, sem perda de tempo,
as providencias necessárias à mudança", sobreveio a
carta constitucional de 1937 e foram esquecidos tais
propósitos. Reapareceu o mesmo texto no art. 4 das
disposições transitórias da constituição de 1946,
motivando a comissão chefiada pelo engenheiro Poli
Coelho, que reconheceu a excelência do local já
preconizado. Outra comissão, constituída em 1953 e
presidida (em 1954) pelo general José Pessoa,
completando os estudos já realizados, delineou a
área de futura capital entre os rios Preto e
Descoberto, e os paralelos 15o30' e 16o03',
abrangendo parte do território de três municípios
goianos (Planaltina, Luziânia e Formosa), o que foi
aprovado. Em 09 de dezembro de 1955,o presidente da Repúbica
em exercício, Nereu Ramos, através do decreto
n.38.261 transforma a Comissão de Localização da
Nova Capital do Brasil, em Comissão de Planejamento
da Construção e da Mudança da Capital Federal, da
qual foi presidente, de maio a setembro de 1956, o
doutor Ernesto Silva, que, a 19 de setembro, lançou
o concurso nacional do Plano Piloto de Brasília.
Eleito presidente da república, Juscelino
Kubitscheck de Oliveira, logo após sua posse, em
janeiro de 1956, afirmou o seu empenho "de fazer
descer do plano dos sonhos a realidade de
Brasília"; em abril daquele ano, da cidade de
Anápolis (planalto goiano) enviou uma mensagem ao
congresso propondo a criação da
Companhia Urbanizadora da Nova Capital (vulgarizada
pela sigla NOVACAP). Em 19 de setembro de 1956, o
presidente sanciona a lei 2.874, que criava a
referida Companhia e nomeia seus diretores: Israel
Pinheiro da Silva, presidente, Ernesto Silva,
Bernardo Sayão e Iris Meinberg, diretores.
Em 12 de março de 1957, instalou-se a Comissão
julgadora do Concurso Público para a escolha do
Plano Piloto da cidade de Brasília, composta pelos
seguintes membros: Israel Pinheiro (presidente da
NOVACAP e da Comissão), Sir William Halford (da
Inglaterra), Stano Papadaki(Estados Unidos), André
Sive(França) Oscar Niemeyer (chefe da Divisão de
Arquitetura e Urbanismo da Novacap), Luiz
Hidelbrando Horta Barbosa (Clube de Engenharia) e
Paulo Antunes Ribeiro (Instituto dos Arquitetos), a
qual escolheu o projeto do urbanista Lúcio Costa.
para a criação da "Comissão de
planejamento da constituição e da mudança da
capital federal", com atribuições e encargos
específicos. Em setembro do mesmo ano o projeto
converteu-se em lei (n. 2.874), que, aprovada por
unanimidade na câmara e no senado, oficializou o
nome de Brasília e dispôs sobre a organização da
"Companhia Urbanizadora da Nova Capital"
(vulgarizada pela sigla NOVACAP). Foi nomeado
presidente da NOVACAP o engenheiro Israel Pinheiro.
O arquiteto Oscar Niemeyer foi escolhido para
chefia do Departamento de Urbanística e
Arquitetura, sendo encarregado de abrir concurso
para escolha do plano-piloto; assim, em março de
1957, uma comissão julgadora constituída por sir
William Halford, Stano Papadaki, André Sive, Oscar
Niemeyer, Luís Hildebrando Horta Barbosa e Paulo
Antunes Ribeiro escolheu o projeto do arquiteto
Lúcio Costa.
No dia 2 de outubro de 1956, em campo aberto, o
presidente Kubitscheck assinou o primeiro ato no
local da futura capital, nomeando ministro da
agricultura a Mário Meneghetti. Lançou então a
seguinte proclamação:
"Deste planalto central desta solidão
que em breve se transformará em
cérebro das altas decisões nacionais, lanço os
olhos sobre o amanhã do meu país e antevejo esta
alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem
limites no seu grande destino."
No mesmo ano iniciaram-se os trabalhos de
construção propriamente ditos, sob as vistas de
Oscar Niemeyer e Israel Pinheiro. Formou-se o
Núcleo Bandeirante, onde se permitia maior
liberdade à iniciativa particular e foi batizado
com o nome de "Cidade Livre".
Especialmente do Nordeste, Minas Gerais e Goiás,
principiaram chegar levas de trabalhadores. Os primeiros
candangos.